A jornalista Vanessa Campos é uma das palestrantes da V Semana ComCeut
com o tema ‘Aventura de uma jornalista na caça de celebridades’. Com passagens
por vários veículos de comunicação nacionais, como a Folha de São Paulo, Elle,
Capricho e Contigo, é formada pela PUC – RJ e possui Mestrado sobre o fenômeno
Xuxa. Em entrevista para o Blog da AGECOM, Vanessa Campos nos conta sobre sua
carreira, a Xuxa e o fenômeno das celebridades.
AGECOM- Vanessa, de onde partiu o interesse em especializar-se em
celebridades?
Na verdade, quando eu cursava
jornalismo na PUC-Rio, não tinha nenhum interesse em celebridades. Eu queria
mesmo era escrever sobre cultura no segundo caderno do Jornal do Brasil, um dos
jornais de maior prestigio da década de 80 no Rio de Janeiro. Mas eu sempre
gostei de ver televisão e sempre li revista de celebridades desde pequena. Quando
fui trabalhar na Folha de São Paulo na década de 90, fui contratada como
redatora da revista semanal deles, a D', cuja redação ficava junta com o TV
Folha. Toda vez que surgia qualquer menção sobre o tema televisão e
celebridades televisivas nas reuniões de pauta, eu era a única que sabia o nome
dos programas e dos artistas. Porque eu era a única que via e gostava de
televisão. Ou a única que tinha coragem de assumir que gostava de televisão.
Claro que acabei saindo da D' e indo para o TV Folha. Depois disto, acabei me
especializando em televisão e celebridades.
AGECOM- Por quais veículos você já passou atuando como jornalista de
celebridades?
Já no primeiro veículo que
trabalhei, o jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, apesar de ser repórter de
geral e de política, fiz algumas matérias com celebridades. Depois trabalhei no
TV Folha (revista semanal de televisão da Folha de São Paulo) e nas revistas
Interview, Amiga, Paola, Conta Mais e Contigo. Fiz free-lancers para as
revistas Elle, Chiques e Famosos, Tititi e Capricho.
AGECOM- Muitas vezes, matérias sobre a vida, escândalos, casamentos ou
divóricos de celebridades são mais lidas e comentadas pelos brasileiros do que
por exemplo, decisões no Senado Federal. Como jornalista, como você avalia
trabalhar nesta área que é tão criticada por muitos outros jornalistas, por
creditarem como fofoca, futilidade, mas que ao mesmo tempo possui uma
popularidade imensa no Brasil?
Excelente pergunta. Quando eu
trabalhava como jornalista de celebridades sempre me impressionava não ter
nenhum prêmio jornalístico para este segmento. Porque o trabalho do jornalista
é o mesmo: procurar histórias que emocionem, sejam impactantes e informem as
pessoas. Não há prêmio Esso para quem faz jornalismo de celebridades, nem se
for o furo do ano ou a entrevista mais reveladora do mundo. Apesar da falta de
reconhecimento, o jornalismo de celebridade no Brasil consegue muitas vezes
superar o chamado jornalismo sério. Cito dois acontecimentos. O primeiro é o
assassinato da atriz Daniella Perez que suplantou o fato do presidente Fernando
Collor ter sofrido o impeachment em dezembro de 1992. O segundo foi o
nascimento da filha da Xuxa Meneghel, a Sasha, em 28 de julho de 1998, que
mereceu dez minutos do Jornal Nacional da Rede Globo, mais do que os quatro
minutos e meio dedicados à privatização da Telebrás. O que teve mais impacto na
história do Brasil: a morte de Daniella e o nascimento de Sasha ou o impeachment
de um presidente e a privatização do sistema de telecomunicações?
AGECOM- Na sua dissertação de mestrado, você teve como objeto de estudo
a Xuxa. O que a levou a escolher essa personagem especificamente?
Eu fui durante algum tempo
setorista da Xuxa Meneghel. Explico: setorista é o jornalista encarregado de um
segmento na pauta. Na divisão das celebridades, fui setorista de Xuxa, Vera
Fischer, Deborah Secco, Roberto Carlos, Murilo Benício e José Mayer. Ou seja,
eram artistas que eu precisava acompanhar a vida de perto. No caso da Xuxa, por
exemplo, eu ligava diariamente para a assessoria de imprensa dela e ia a todos
os eventos que ela participava no Rio de Janeiro e alguns fora da cidade.
Quando procurei a celebridade mais perfeita para ser o meu tema de pesquisa,
não tive dúvidas que seria a Xuxa, um dos maiores ídolos do Brasil. Que, ainda
por cima, namorou dois ídolos brasileiros: Pelé e Ayrton Senna. E ela é um tema
fascinante de pesquisa.
AGECOM- Na sua visão, qual a importância de debatermos durante a Semana
de Comunicação a espetacularização de pessoas e fatos da sociedade nos dias
atuais?
A espetacularização da vida,
muito mais do que as pessoas e acontecimentos, é uma tema que já é tema da
Academia nos dias atuais. O que prova a sua importância no contemporâneo.
Quando Guy Débord escreveu a Sociedade do Espetáculo, na década de 60, ninguém
poderia imaginar até que ponto a sociedade do espetáculo seria um fenômeno tão
presente quase cinquenta anos depois. Porque para o espetáculo ser bem
sucedido, ele precisa ter público. E nunca tivemos tantos meios de comunicação
para promover o espetáculo. Gosto de associar a teoria de Débord com a célebre
frase do artista plástico Andy Warhol que profetizou em 1968 que "no
futuro, todo mundo será famoso por quinze minutos". E a sociedade do
espetáculo proporciona esta fama instantânea. Só pra citar exemplos recentes,
temos a Luiza que estava no Canadá e virou febre na Internet no início deste
ano, e o vídeo do bar mitzvá do Nissim Ourfali em agosto. A celebridade parece
ao alcance de todos com o YouTube e o Facebook só para citar duas ferramentas
da Internet. Isto precisa ser debatido, estudado e pesquisado nas universidades
do Brasil.
Por Mara Dallenna/ Ascom Semana ComCeut
Fotos: Arquivo pessoal



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